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O argumento do sentido da vida afirma que Deus deve existir porque, sem Deus, a vida humana não teria significado objetivo. Por outro lado, os apologistas às vezes afirmam que existe um sentido da vida e que isso implica que Deus também existe. Ninguém quer admitir que sua vida é vazia de significado e propósito, o que fornece a base emocional para o argumento.
 
O argumento do sentido da vida afirma que Deus deve existir porque, sem Deus, a vida humana não teria significado objetivo. Por outro lado, os apologistas às vezes afirmam que existe um sentido da vida e que isso implica que Deus também existe. Ninguém quer admitir que sua vida é vazia de significado e propósito, o que fornece a base emocional para o argumento.
   
Em 1843, Søren Kierkegaard escreveu: [1]<blockquote>''"Se não houvesse consciência eterna em um homem, se no fundo de tudo houvesse apenas um fermento selvagem, um poder que se contorcia em paixões escuras produzia tudo grande ou inconsequente; se um vazio incomensurável e insaciável se escondesse embaixo de tudo, o que seria a vida se não passa de desespero?"''</blockquote>Apologistas mais recentes escreveram:<blockquote>''"Sem Deus, a vida não tem propósito, e sem propósito, a vida não tem sentido. Sem sentido, a vida não tem significado ou esperança. [2]"''</blockquote><blockquote>''"Se todos os eventos não têm sentido, então qual pode ser o sentido último de influenciar algum deles? Por fim, não faz diferença. [3]"''</blockquote><blockquote>''"Se o universo não é governado por uma bondade absoluta, todos os nossos esforços são inúteis a longo prazo."'' - C.S. Lewis, Cristianismo puro e simples</blockquote><blockquote>''"Por que você gostaria de viver em um caos sem propósito, no qual nenhuma de suas ações teve algum significado? Na qual não havia esperança de justiça? Na qual a vida de todos aqueles que você ama terminou abruptamente na morte e não teve mais significado? Por que você deseja tão ativamente viver em um universo tão nojento como esse? Você teria que ter uma razão muito boa. E eu acho que [ateus] não têm uma razão muito boa e é isso que eles nunca desejam discutir. Eles não querem justiça. Eles querem que os mortos estejam mortos. Eles querem que o universo não tenha propósito. Eles não querem que suas próprias ações individuais não tenham outro significado além do efeito imediato. Você precisa discutir com eles por que eles são tão interessados ​​nessa proposição". ''- Peter Hitchens [4]</blockquote><blockquote>''"[...] a busca pela existência de um ser sobrenatural, tão difundido em todas as culturas já estudadas, representa um desejo humano universal, porém infundado, de algo fora de nós para dar sentido a uma vida sem sentido e tirar o aguilhão de a morte? [...] lembro claramente alguns desses momentos da minha vida, nos quais esse sentimento pungente de desejo, que fica entre o prazer e a dor, me pegou de surpresa e me fez pensar de onde vinha tanta emoção forte, e como essa experiência pode ser recuperada". ''- Francis Collins, a linguagem de Deus</blockquote><blockquote>''"[para ateus:] Onde você tira um sentido objetivo da vida? [5]"''</blockquote>O [[argumento da justiça]] às vezes é combinado com esse argumento porque fornece consequências às ações morais, que são consideradas necessárias para que essas ações sejam significativas. [3] Este argumento está relacionado ao argumento transcendental porque ambos afirmam que existem coisas absolutas que dependem da existência de Deus.
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Em 1843, Søren Kierkegaard escreveu: <ref>Søren Kierkegaard, Temor e Tremor</ref><blockquote>''"Se não houvesse consciência eterna em um homem, se no fundo de tudo houvesse apenas um fermento selvagem, um poder que se contorcia em paixões escuras produzia tudo grande ou inconsequente; se um vazio incomensurável e insaciável se escondesse embaixo de tudo, o que seria a vida se não passa de desespero?"''</blockquote>Apologistas mais recentes escreveram:<blockquote>''"Sem Deus, a vida não tem propósito, e sem propósito, a vida não tem sentido. Sem sentido, a vida não tem significado ou esperança. ''<ref>Rick Warren, ''The Purpose Driven Life: What on Earth Am I Here for?''</ref>''"''</blockquote><blockquote>''"Se todos os eventos não têm sentido, então qual pode ser o sentido último de influenciar algum deles? Por fim, não faz diferença. ''<ref>William Lane Craig, ''[https://web.archive.org/web/20180417153237/http://www.reasonablefaith.org/the-absurdity-of-life-without-god The Absurdity of Life without God]''</ref>''"''</blockquote><blockquote>''"Se o universo não é governado por uma bondade absoluta, todos os nossos esforços são inúteis a longo prazo."'' - C.S. Lewis, Cristianismo puro e simples</blockquote><blockquote>''"Por que você gostaria de viver em um caos sem propósito, no qual nenhuma de suas ações teve algum significado? Na qual não havia esperança de justiça? Na qual a vida de todos aqueles que você ama terminou abruptamente na morte e não teve mais significado? Por que você deseja tão ativamente viver em um universo tão nojento como esse? Você teria que ter uma razão muito boa. E eu acho que [ateus] não têm uma razão muito boa e é isso que eles nunca desejam discutir. Eles não querem justiça. Eles querem que os mortos estejam mortos. Eles querem que o universo não tenha propósito. Eles não querem que suas próprias ações individuais não tenham outro significado além do efeito imediato. Você precisa discutir com eles por que eles são tão interessados ​​nessa proposição". ''- Peter Hitchens <ref>https://web.archive.org/web/20180417153237/https://www.youtube.com/watch?v=VnIH4gomOqc</ref></blockquote><blockquote>''"[...] a busca pela existência de um ser sobrenatural, tão difundido em todas as culturas já estudadas, representa um desejo humano universal, porém infundado, de algo fora de nós para dar sentido a uma vida sem sentido e tirar o aguilhão de a morte? [...] lembro claramente alguns desses momentos da minha vida, nos quais esse sentimento pungente de desejo, que fica entre o prazer e a dor, me pegou de surpresa e me fez pensar de onde vinha tanta emoção forte, e como essa experiência pode ser recuperada". ''- Francis Collins, a linguagem de Deus</blockquote><blockquote>''"[para ateus:] Onde você tira um sentido objetivo da vida? ''<ref>Matt Stopera, ''[https://web.archive.org/web/20180417153237/https://www.buzzfeed.com/mjs538/messages-from-creationists-to-people-who-believe-in-evolutio?utm_term=.vqYEqMPwqM#2391832 22 Messages From Creationists To People Who Believe In Evolution,]'' Buzzfeed, February 5, 2014</ref>''"''</blockquote>O [[argumento da justiça]] às vezes é combinado com esse argumento porque fornece consequências às ações morais, que são consideradas necessárias para que essas ações sejam significativas. [3] Este argumento está relacionado ao argumento transcendental porque ambos afirmam que existem coisas absolutas que dependem da existência de Deus.
   
 
== O que significa o "sentido da vida"? ==
 
== O que significa o "sentido da vida"? ==
O sentido da vida se refere ao significado ou propósito da existência humana. A filosofia antiga e medieval no Ocidente costumava considerar apenas valores "intrínsecos", o que significa aproximadamente que um valor é "bom para o seu próprio bem", [6] como potenciais candidatos ao sentido da vida. Da mesma forma, a maioria das religiões considera noções metafísicas como ética ou nosso relacionamento com Deus o objetivo da vida. Supõe-se geralmente que o propósito da vida é uniforme para todos os seres humanos, invariável ao tempo e é bom, independentemente de quem o atinja. Essa é a concepção do "sentido da vida" usado no argumento.
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O sentido da vida se refere ao significado ou propósito da existência humana. A filosofia antiga e medieval no Ocidente costumava considerar apenas valores "intrínsecos", o que significa aproximadamente que um valor é "bom para o seu próprio bem", <ref>JW Gray, ''[https://web.archive.org/web/20180417153237/http://ethicalrealism.wordpress.com/2009/12/29/is-there-a-meaning-of-life/ What Does “Meaning of Life” Mean?]'' December 29, 2009</ref> como potenciais candidatos ao sentido da vida. Da mesma forma, a maioria das religiões considera noções metafísicas como ética ou nosso relacionamento com Deus o objetivo da vida. Supõe-se geralmente que o propósito da vida é uniforme para todos os seres humanos, invariável ao tempo e é bom, independentemente de quem o atinja. Essa é a concepção do "sentido da vida" usado no argumento.
   
 
A filosofia da iluminação mudou o foco do significado para "direitos naturais" dos humanos, que não dependem necessariamente de Deus. O humanismo e o utilitarismo são semelhantes, pois se preocupam em melhorar o "bem maior da humanidade" em geral. Essas visões supõem implicitamente que um significado para a vida humana pode existir sem o recurso a Deus.
 
A filosofia da iluminação mudou o foco do significado para "direitos naturais" dos humanos, que não dependem necessariamente de Deus. O humanismo e o utilitarismo são semelhantes, pois se preocupam em melhorar o "bem maior da humanidade" em geral. Essas visões supõem implicitamente que um significado para a vida humana pode existir sem o recurso a Deus.
   
O existencialismo e outros ramos da filosofia moderna tendem a considerar o sentido absoluto da vida como inexistente ou conceitualmente sem sentido. A possibilidade de um "sentido da vida" subjetivo ou específico da pessoa é aceita.<blockquote>''"Este - agora é o MEU caminho - onde está o seu?" Assim respondi àqueles que me perguntaram "o caminho". O caminho - não existe! [7]''</blockquote>Sabemos o que significa uma ação humana ter um propósito, porque a experimentamos todos os dias. No entanto, não está claro se o conceito de "objetivo" pode ser aplicado adequadamente a uma vida inteira. [8]
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O existencialismo e outros ramos da filosofia moderna tendem a considerar o sentido absoluto da vida como inexistente ou conceitualmente sem sentido. A possibilidade de um "sentido da vida" subjetivo ou específico da pessoa é aceita.<blockquote>''"Este - agora é o MEU caminho - onde está o seu?" Assim respondi àqueles que me perguntaram "o caminho". O caminho - não existe! ''<ref>Friedrich Nietzsche, Assim falou Zaratustra </ref></blockquote>Sabemos o que significa uma ação humana ter um propósito, porque a experimentamos todos os dias. No entanto, não está claro se o conceito de "objetivo" pode ser aplicado adequadamente a uma vida inteira. <ref name=":0">Rebecca Newberger Goldstein, ''[https://web.archive.org/web/20180417153237/http://edge.org/conversation/36-arguments-for-the-existence-of-god 36 Arguments for the Existence of God: A Work of Fiction]'', 2011</ref>
   
 
== Problemas com este argumento ==
 
== Problemas com este argumento ==
   
 
=== '''Apelo à emoção''' ===
 
=== '''Apelo à emoção''' ===
O argumento sugere que devemos acreditar em um deus, mesmo que ele não exista, para que possamos sentir o impulso da auto-estima de nossas vidas tendo um significado maior. Se uma conclusão é aceita apenas por seu apelo emocional ou desejo, é uma falácia lógica. Uma pessoa ainda pode ter uma vida subjetivamente significativa, gratificante e memorável, mesmo que o significado absoluto não exista. O existencialismo é um ramo da filosofia preocupado com a existência sem significado absoluto ou com a necessidade de criar o próprio significado. Por outro lado, alguns argumentaram que a mortalidade humana seguida pela inexistência é a única maneira de a vida humana ter significado. Pensa-se que a consciência e a singularidade o tornam especial.<blockquote>''"É importante não confundir a noção de "sem sentido" na Premissa 2 com noções como "não vale a pena viver" ou "dispensável". [...] Mas podemos muito bem sustentar que cada vida humana é preciosa - vale a pena viver, não é descartável - sem sustentar que cada vida humana tem um propósito no esquema geral das coisas. [8]"''</blockquote><blockquote>''"[Estar] ciente de nossa própria mortalidade nos conscientiza do valor da vida. Percebemos que a vida é preciosa demais para ser desperdiçada e, portanto, nos revigoramos. [...] Sentimos-nos gratos por estarmos vivos, por termos nascido. Por um curto período de tempo neste mundo nós apreciamos a beleza e a maravilha da natureza, as pessoas em nossas vidas e as coisas cotidianas mundanas, como comida, água e o clima. [...] Os encontros com a morte também nos tornam mais focados no presente. [9]"''</blockquote>
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O argumento sugere que devemos acreditar em um deus, mesmo que ele não exista, para que possamos sentir o impulso da auto-estima de nossas vidas tendo um significado maior. Se uma conclusão é aceita apenas por seu apelo emocional ou desejo, é uma falácia lógica. Uma pessoa ainda pode ter uma vida subjetivamente significativa, gratificante e memorável, mesmo que o significado absoluto não exista. O existencialismo é um ramo da filosofia preocupado com a existência sem significado absoluto ou com a necessidade de criar o próprio significado. Por outro lado, alguns argumentaram que a mortalidade humana seguida pela inexistência é a única maneira de a vida humana ter significado. Pensa-se que a consciência e a singularidade o tornam especial.<blockquote>''"É importante não confundir a noção de "sem sentido" na Premissa 2 com noções como "não vale a pena viver" ou "dispensável". [...] Mas podemos muito bem sustentar que cada vida humana é preciosa - vale a pena viver, não é descartável - sem sustentar que cada vida humana tem um propósito no esquema geral das coisas. ''<ref name=":0" />''"''</blockquote><blockquote>''"[Estar] ciente de nossa própria mortalidade nos conscientiza do valor da vida. Percebemos que a vida é preciosa demais para ser desperdiçada e, portanto, nos revigoramos. [...] Sentimos-nos gratos por estarmos vivos, por termos nascido. Por um curto período de tempo neste mundo nós apreciamos a beleza e a maravilha da natureza, as pessoas em nossas vidas e as coisas cotidianas mundanas, como comida, água e o clima. [...] Os encontros com a morte também nos tornam mais focados no presente. ''<ref>Steve Taylor, ''[https://web.archive.org/web/20180417153237/http://www.psychologytoday.com/blog/out-the-darkness/201111/waking-life-through-death Out of the Darkness]'', November 26, 2011</ref>''"''</blockquote>
   
 
=== '''O significado absoluto da vida pode não existir''' ===
 
=== '''O significado absoluto da vida pode não existir''' ===
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'''Afirmar que a vida terrena é inútil'''
 
'''Afirmar que a vida terrena é inútil'''
   
Segundo a aposta de Pascal, o valor do componente terrestre da vida é zero. A Bíblia também ensina a evitar o mundanismo [10], por exemplo. 1 João 2: 15-17:<blockquote>''"Não ameis o mundo nem as coisas do mundo. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele. Por tudo o que existe no mundo - os desejos da carne e os desejos dos olhos e do orgulho". em posses - não é do Pai, mas é do mundo. E o mundo está passando junto com seus desejos, mas quem faz a vontade de Deus permanece para sempre".''</blockquote>Friedrich Nietzsche criticou fortemente essa visão, alegando que valores absolutos não existem, mas a criação de valores subjetivos é uma espécie de meta-significado da vida: [11]<blockquote>''"Blasfemar contra a terra é agora o pecado mais terrível, e classificar o coração do incognoscível mais alto que o significado da terra!"''</blockquote>Se temos apenas a vida terrena e os não-crentes consideram que existe um significado subjetivo para a vida, é possível argumentar que os cristãos que desvalorizam a vida terrena são os verdadeiros niilistas.
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Segundo a aposta de Pascal, o valor do componente terrestre da vida é zero. A Bíblia também ensina a evitar o mundanismo <ref>OpenBible, ''[https://web.archive.org/web/20180417153237/http://www.openbible.info/topics/worldly_things 42 Bible Verses about Worldly Things]''</ref>, por exemplo. 1 João 2: 15-17:<blockquote>''"Não ameis o mundo nem as coisas do mundo. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele. Por tudo o que existe no mundo - os desejos da carne e os desejos dos olhos e do orgulho". em posses - não é do Pai, mas é do mundo. E o mundo está passando junto com seus desejos, mas quem faz a vontade de Deus permanece para sempre".''</blockquote>Friedrich Nietzsche criticou fortemente essa visão, alegando que valores absolutos não existem, mas a criação de valores subjetivos é uma espécie de meta-significado da vida: <ref>Friedrich Nietzsche, Assim falou Zaratrustra</ref><blockquote>''"Blasfemar contra a terra é agora o pecado mais terrível, e classificar o coração do incognoscível mais alto que o significado da terra!"''</blockquote>Se temos apenas a vida terrena e os não-crentes consideram que existe um significado subjetivo para a vida, é possível argumentar que os cristãos que desvalorizam a vida terrena são os verdadeiros niilistas.
   
 
=== '''Nenhum meio confiável para determinar o significado absoluto''' ===
 
=== '''Nenhum meio confiável para determinar o significado absoluto''' ===
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=== '''Petição da questão''' ===
 
=== '''Petição da questão''' ===
O argumento é baseado na premissa de que a vida humana tem um propósito. Se apenas Deus pode fornecer significado, está pedindo a questão: um propósito implica automaticamente uma entidade que determina esse propósito, ele efetivamente assume sua conclusão em uma premissa. [8] Se algo que não seja Deus pode estabelecer significado, então o argumento também é interrompido porque o argumento não descarta a existência dessa fonte.
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O argumento é baseado na premissa de que a vida humana tem um propósito. Se apenas Deus pode fornecer significado, está pedindo a questão: um propósito implica automaticamente uma entidade que determina esse propósito, ele efetivamente assume sua conclusão em uma premissa. <ref name=":0" /> Se algo que não seja Deus pode estabelecer significado, então o argumento também é interrompido porque o argumento não descarta a existência dessa fonte.
   
 
=== '''Raciocínio circular''' ===
 
=== '''Raciocínio circular''' ===
Como sabemos que somos significativos? Um apologista escreve:<blockquote>''"Sabemos que valemos tanto para Deus, somos amados tão enormemente, que o Pai enviou seu próprio Filho para morrer por nós. Não apenas isso: podemos nos olhar no espelho e saber que, com todas as nossas loucuras e fraquezas, cada um de nós já é uma obra-prima única, do maior artesão do universo. [12]"''</blockquote>Esse argumento é circular: Deus nos ama, portanto somos valorizados, somos valorizados, portanto, Deus existe.
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Como sabemos que somos significativos? Um apologista escreve:<blockquote>''"Sabemos que valemos tanto para Deus, somos amados tão enormemente, que o Pai enviou seu próprio Filho para morrer por nós. Não apenas isso: podemos nos olhar no espelho e saber que, com todas as nossas loucuras e fraquezas, cada um de nós já é uma obra-prima única, do maior artesão do universo. ''<ref>https://web.archive.org/web/20180417153237/http://www.bethinking.org/atheism/after-god</ref></blockquote>Esse argumento é circular: Deus nos ama, portanto somos valorizados, somos valorizados, portanto, Deus existe.
   
 
== Links externos ==
 
== Links externos ==

Edição atual tal como às 03h24min de 26 de junho de 2020

Direitos Reservados ao Iron Chariots, Link original aqui.

O argumento do sentido da vida afirma que Deus deve existir porque, sem Deus, a vida humana não teria significado objetivo. Por outro lado, os apologistas às vezes afirmam que existe um sentido da vida e que isso implica que Deus também existe. Ninguém quer admitir que sua vida é vazia de significado e propósito, o que fornece a base emocional para o argumento.

Em 1843, Søren Kierkegaard escreveu: [1]

"Se não houvesse consciência eterna em um homem, se no fundo de tudo houvesse apenas um fermento selvagem, um poder que se contorcia em paixões escuras produzia tudo grande ou inconsequente; se um vazio incomensurável e insaciável se escondesse embaixo de tudo, o que seria a vida se não passa de desespero?"
Apologistas mais recentes escreveram:
"Sem Deus, a vida não tem propósito, e sem propósito, a vida não tem sentido. Sem sentido, a vida não tem significado ou esperança. [2]"
"Se todos os eventos não têm sentido, então qual pode ser o sentido último de influenciar algum deles? Por fim, não faz diferença. [3]"
"Se o universo não é governado por uma bondade absoluta, todos os nossos esforços são inúteis a longo prazo." - C.S. Lewis, Cristianismo puro e simples
"Por que você gostaria de viver em um caos sem propósito, no qual nenhuma de suas ações teve algum significado? Na qual não havia esperança de justiça? Na qual a vida de todos aqueles que você ama terminou abruptamente na morte e não teve mais significado? Por que você deseja tão ativamente viver em um universo tão nojento como esse? Você teria que ter uma razão muito boa. E eu acho que [ateus] não têm uma razão muito boa e é isso que eles nunca desejam discutir. Eles não querem justiça. Eles querem que os mortos estejam mortos. Eles querem que o universo não tenha propósito. Eles não querem que suas próprias ações individuais não tenham outro significado além do efeito imediato. Você precisa discutir com eles por que eles são tão interessados ​​nessa proposição". - Peter Hitchens [4]
"[...] a busca pela existência de um ser sobrenatural, tão difundido em todas as culturas já estudadas, representa um desejo humano universal, porém infundado, de algo fora de nós para dar sentido a uma vida sem sentido e tirar o aguilhão de a morte? [...] lembro claramente alguns desses momentos da minha vida, nos quais esse sentimento pungente de desejo, que fica entre o prazer e a dor, me pegou de surpresa e me fez pensar de onde vinha tanta emoção forte, e como essa experiência pode ser recuperada". - Francis Collins, a linguagem de Deus
"[para ateus:] Onde você tira um sentido objetivo da vida? [5]"
O argumento da justiça às vezes é combinado com esse argumento porque fornece consequências às ações morais, que são consideradas necessárias para que essas ações sejam significativas. [3] Este argumento está relacionado ao argumento transcendental porque ambos afirmam que existem coisas absolutas que dependem da existência de Deus.

O que significa o "sentido da vida"? Editar

O sentido da vida se refere ao significado ou propósito da existência humana. A filosofia antiga e medieval no Ocidente costumava considerar apenas valores "intrínsecos", o que significa aproximadamente que um valor é "bom para o seu próprio bem", [6] como potenciais candidatos ao sentido da vida. Da mesma forma, a maioria das religiões considera noções metafísicas como ética ou nosso relacionamento com Deus o objetivo da vida. Supõe-se geralmente que o propósito da vida é uniforme para todos os seres humanos, invariável ao tempo e é bom, independentemente de quem o atinja. Essa é a concepção do "sentido da vida" usado no argumento.

A filosofia da iluminação mudou o foco do significado para "direitos naturais" dos humanos, que não dependem necessariamente de Deus. O humanismo e o utilitarismo são semelhantes, pois se preocupam em melhorar o "bem maior da humanidade" em geral. Essas visões supõem implicitamente que um significado para a vida humana pode existir sem o recurso a Deus.

O existencialismo e outros ramos da filosofia moderna tendem a considerar o sentido absoluto da vida como inexistente ou conceitualmente sem sentido. A possibilidade de um "sentido da vida" subjetivo ou específico da pessoa é aceita.

"Este - agora é o MEU caminho - onde está o seu?" Assim respondi àqueles que me perguntaram "o caminho". O caminho - não existe! [7]
Sabemos o que significa uma ação humana ter um propósito, porque a experimentamos todos os dias. No entanto, não está claro se o conceito de "objetivo" pode ser aplicado adequadamente a uma vida inteira. [8]

Problemas com este argumento Editar

Apelo à emoção Editar

O argumento sugere que devemos acreditar em um deus, mesmo que ele não exista, para que possamos sentir o impulso da auto-estima de nossas vidas tendo um significado maior. Se uma conclusão é aceita apenas por seu apelo emocional ou desejo, é uma falácia lógica. Uma pessoa ainda pode ter uma vida subjetivamente significativa, gratificante e memorável, mesmo que o significado absoluto não exista. O existencialismo é um ramo da filosofia preocupado com a existência sem significado absoluto ou com a necessidade de criar o próprio significado. Por outro lado, alguns argumentaram que a mortalidade humana seguida pela inexistência é a única maneira de a vida humana ter significado. Pensa-se que a consciência e a singularidade o tornam especial.

"É importante não confundir a noção de "sem sentido" na Premissa 2 com noções como "não vale a pena viver" ou "dispensável". [...] Mas podemos muito bem sustentar que cada vida humana é preciosa - vale a pena viver, não é descartável - sem sustentar que cada vida humana tem um propósito no esquema geral das coisas. [8]"
"[Estar] ciente de nossa própria mortalidade nos conscientiza do valor da vida. Percebemos que a vida é preciosa demais para ser desperdiçada e, portanto, nos revigoramos. [...] Sentimos-nos gratos por estarmos vivos, por termos nascido. Por um curto período de tempo neste mundo nós apreciamos a beleza e a maravilha da natureza, as pessoas em nossas vidas e as coisas cotidianas mundanas, como comida, água e o clima. [...] Os encontros com a morte também nos tornam mais focados no presente. [9]"

O significado absoluto da vida pode não existir Editar

O argumento assume que existe um significado absoluto para a vida. No entanto, isso não é necessariamente verdade e difícil de estabelecer com certeza. Embora possamos nos sentir desconfortáveis ​​ao admitir que nossa vida não serve a um propósito eterno, não devemos simplesmente assumir que ela tem um propósito. Não há evidências de que exista qualquer sentido absoluto da vida. Enquanto os crentes religiosos afirmam que sua ideia do significado da vida é absoluta, sem uma maneira de verificá-lo, é provável que seja outro conceito subjetivo. Simplesmente afirmar que seu conceito de significado é absoluto não o torna absoluto.

Livre arbítrio e predestinação Editar

Se o sentido é predestinado, então Deus é injusto e não dá aos ateus a mesma facilidade para o sentido, ou é impotente e não pode. Em segundo lugar, o livre-arbítrio e o sentido "planejado" não podem existir juntos, pois são mutuamente exclusivos.

A ideia cristã para o sentido da vida é questionável Editar

É importante determinar o que o teísta acredita que realmente há o sentido da vida. Em alguns casos, eles dizem que o significado da vida é adorar a Deus. A adoração subserviente não será a ideia de uma vida significativa para a maioria das pessoas.

Como alternativa, Deus pode ter determinado que o propósito dos seres humanos seja bem diferente do que os humanos atualmente acreditam e, pelo que sabemos, é possivelmente inatingível. Este dificilmente seria um conceito reconfortante.

Deus e o absoluto Editar

Se Deus existe, o que torna a visão de Deus do propósito da vida humana mais privilegiada do que qualquer outra concepção? Criar algo não confere automaticamente a interpretação do criador ao objeto, como visto nas criações humanas. Um objeto criado para uma finalidade pode ser igualmente (ou mais) adequado para finalidades alternativas. Deus pode estabelecer alguns critérios para o que ele considera valioso, mas isso não implica automaticamente que esses valores tenham valor absoluto em si mesmos.

Significado espontâneo

Várias possibilidades são ignoradas pelo argumento, mas são tão válidas quanto a conclusão. O sentido absoluto da vida poderia ter se criado espontaneamente, ser necessariamente existente ou criado por um agente não-divino. Pode ser diferente para cada pessoa, mesmo que haja um Deus.

Afirmar que a vida terrena é inútil

Segundo a aposta de Pascal, o valor do componente terrestre da vida é zero. A Bíblia também ensina a evitar o mundanismo [10], por exemplo. 1 João 2: 15-17:

"Não ameis o mundo nem as coisas do mundo. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele. Por tudo o que existe no mundo - os desejos da carne e os desejos dos olhos e do orgulho". em posses - não é do Pai, mas é do mundo. E o mundo está passando junto com seus desejos, mas quem faz a vontade de Deus permanece para sempre".
Friedrich Nietzsche criticou fortemente essa visão, alegando que valores absolutos não existem, mas a criação de valores subjetivos é uma espécie de meta-significado da vida: [11]
"Blasfemar contra a terra é agora o pecado mais terrível, e classificar o coração do incognoscível mais alto que o significado da terra!"
Se temos apenas a vida terrena e os não-crentes consideram que existe um significado subjetivo para a vida, é possível argumentar que os cristãos que desvalorizam a vida terrena são os verdadeiros niilistas.

Nenhum meio confiável para determinar o significado absoluto Editar

Se Deus criou um sentido absoluto da vida, não temos meios confiáveis ​​para determinar se ela existe ou no que ela implica. Livros sagrados e testemunhos de revelação são contraditórios, mitológicos e vagos.

Petição da questão Editar

O argumento é baseado na premissa de que a vida humana tem um propósito. Se apenas Deus pode fornecer significado, está pedindo a questão: um propósito implica automaticamente uma entidade que determina esse propósito, ele efetivamente assume sua conclusão em uma premissa. [8] Se algo que não seja Deus pode estabelecer significado, então o argumento também é interrompido porque o argumento não descarta a existência dessa fonte.

Raciocínio circular Editar

Como sabemos que somos significativos? Um apologista escreve:

"Sabemos que valemos tanto para Deus, somos amados tão enormemente, que o Pai enviou seu próprio Filho para morrer por nós. Não apenas isso: podemos nos olhar no espelho e saber que, com todas as nossas loucuras e fraquezas, cada um de nós já é uma obra-prima única, do maior artesão do universo. [12]
Esse argumento é circular: Deus nos ama, portanto somos valorizados, somos valorizados, portanto, Deus existe.

Links externos Editar

Referências Editar

  1. Søren Kierkegaard, Temor e Tremor
  2. Rick Warren, The Purpose Driven Life: What on Earth Am I Here for?
  3. William Lane Craig, The Absurdity of Life without God
  4. https://web.archive.org/web/20180417153237/https://www.youtube.com/watch?v=VnIH4gomOqc
  5. Matt Stopera, 22 Messages From Creationists To People Who Believe In Evolution, Buzzfeed, February 5, 2014
  6. JW Gray, What Does “Meaning of Life” Mean? December 29, 2009
  7. Friedrich Nietzsche, Assim falou Zaratustra 
  8. 8,0 8,1 8,2 Rebecca Newberger Goldstein, 36 Arguments for the Existence of God: A Work of Fiction, 2011
  9. Steve Taylor, Out of the Darkness, November 26, 2011
  10. OpenBible, 42 Bible Verses about Worldly Things
  11. Friedrich Nietzsche, Assim falou Zaratrustra
  12. https://web.archive.org/web/20180417153237/http://www.bethinking.org/atheism/after-god
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