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== Amar e julgar ==
 
== Amar e julgar ==
Um Deus não pode tratar as pessoas com a severidade que elas merecem (sendo justas) e com menos severidade do que elas merecem (sendo misericordioso). <ref name=":0">Theodore M. Drange, ''[https://web.archive.org/web/20170721041835/http://infidels.org/library/modern/theodore_drange/incompatible.html Incompatible-Properties Arguments: A Survey]'', Philo 1998 (2), pp. 49-60</ref> Friedrich Nietzsche apontou: <ref>Friedrich Nietzsche, ''Assim falou Zaratrustra''</ref><blockquote>''"Quem o exalta como um Deus de amor, não tem consideração suficiente sobre o próprio amor. Não quis esse Deus também ser juiz? Mas aquele que ama ama independentemente de recompensa e retribuição."''</blockquote>O problema do Inferno mostra que a punição infinita do Inferno nunca é apropriada para transgressões finitas. Portanto, Deus não pode ser justo. Se Deus afirma ser imutável, ele não pode ser prejudicado pelo pecado.
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Um Deus não pode tratar as pessoas com a severidade que elas merecem (sendo justas) e com menos severidade do que elas merecem (sendo misericordioso). <ref name=":0">Theodore M. Drange, ''[https://web.archive.org/web/20170721041835/http://infidels.org/library/modern/theodore_drange/incompatible.html Incompatible-Properties Arguments: A Survey]'', Philo 1998 (2), pp. 49-60</ref> [[Friedrich Nietzsche]] apontou: <ref>Friedrich Nietzsche, ''Assim falou Zaratrustra''</ref><blockquote>''"Quem o exalta como um Deus de amor, não tem consideração suficiente sobre o próprio amor. Não quis esse Deus também ser juiz? Mas aquele que ama ama independentemente de recompensa e retribuição."''</blockquote>O problema do Inferno mostra que a punição infinita do Inferno nunca é apropriada para transgressões finitas. Portanto, Deus não pode ser justo. Se Deus afirma ser imutável, ele não pode ser prejudicado pelo pecado.
   
 
== Simplicidade e complexidade divinas ==
 
== Simplicidade e complexidade divinas ==

Edição das 15h37min de 2 de novembro de 2020

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O argumento de atributos incompatíveis é baseado na descrição de Deus dada em livros sagrados e teologia. Porque Deus é descrito como tendo atributos incompatíveis ou incoerentes, essa versão particular de Deus não pode existir. Visto que existem muitos atributos que são aplicados a Deus, existem muitas formas de argumento.

Esta é uma forma de argumento dos atributos de Deus.

Amar e julgar

Um Deus não pode tratar as pessoas com a severidade que elas merecem (sendo justas) e com menos severidade do que elas merecem (sendo misericordioso). [1] Friedrich Nietzsche apontou: [2]

"Quem o exalta como um Deus de amor, não tem consideração suficiente sobre o próprio amor. Não quis esse Deus também ser juiz? Mas aquele que ama ama independentemente de recompensa e retribuição."

O problema do Inferno mostra que a punição infinita do Inferno nunca é apropriada para transgressões finitas. Portanto, Deus não pode ser justo. Se Deus afirma ser imutável, ele não pode ser prejudicado pelo pecado.

Simplicidade e complexidade divinas

Muitos atributos de Deus são baseados no conceito de simplicidade divina. Porém, se Deus é inteligente, ele é complexo. A simplicidade divina tem muitas outras dificuldades teológicas, particularmente com a Trindade e a possibilidade de encarnação física.

Imutabilidade

Deus desejava criar o universo antes de criá-lo e, depois que ele foi criado, ele não desejou mais fazê-lo. Portanto, Deus não é imutável. [1]

A personalidade de Deus varia na Bíblia

Um Deus amoroso deve ser afetado pelos eventos, Deus não é afetado pelos eventos (ou seja, ele é impassível), portanto, ele não é amoroso.

Um Deus imutável não pode perdoar pecados, ser afetado pelo pecado ou responder a orações. Tomás de Aquino rebateu isso dizendo que a oração e seus resultados coincidem com o grande plano de Deus: [3]

"Oramos não para mudar a disposição divina, mas para obter pela oração peticionária o que Deus dispõe para ser alcançado pela oração"

O relato bíblico de que Deus teve emoções em certos momentos é incompatível com a imutabilidade. Deus está "entristecido" "no seu coração" (Gênesis 6: 6). Deus está "entristecido (Salmo 78:40), irado (Deuteronômio 1:37), satisfeito (1 Reis 3:10), alegre (Sofonias 3:17) e movido pela piedade (Juízes 2:18)". [4] Phillip R. Johnson defende a impassibilidade divina, alegando que essas emoções são apenas metáforas (ou seja, são antropopáticas) e não devem ser tomadas literalmente. Ele isenta o amor, do qual Deus ainda é capaz, por meio de um pedido especial. Se as metáforas das emoções de Deus correspondem a qualquer coisa em Deus, elas ainda são temporais por natureza, desencadeadas por uma situação particular e implicam em mutabilidade.

Jesus nota uma mudança em si mesmo (presumivelmente na metade divina de sua natureza) quando uma mulher toca em suas roupas e é curada. Marcos 5:30.

Onipotência

A onipotência não é uma propriedade coerente porque deve permitir que Deus limite seus próprios poderes. Se ele não pode limitar seus próprios poderes, ele não é onipotente. Isso geralmente é expresso como "Deus pode criar uma pedra tão pesada que não consiga erguê-la?"

Perfeição

Se Deus é perfeito, então Deus não tem desejos, então um Deus perfeito não criaria o Universo, portanto Deus não existe. [1]

O argumento do design deficiente aponta que o universo é mal projetado, portanto, o designer (Deus) não pode ser perfeito. Por exemplo, ele lamenta ter criado o homem em Gênesis 6: 5-7 [3].

Um Deus onibenevolente e onipotente não previne o mal

David Hume reafirmou o famoso argumento de Epicuro sobre o problema do mal:

"Por que existe alguma miséria no mundo? Não por acaso, com certeza. Por alguma causa, então. É da intenção da Divindade? Mas ele é perfeitamente benevolente. É contrário à sua intenção? Mas ele é todo-poderoso. Nada pode abalar a solidez desse raciocínio, tão curto, tão claro, tão decisivo; exceto que afirmamos, que esses assuntos excedem toda a capacidade humana "

Onisciência

Se o futuro está indeciso (como humanos que têm livre arbítrio), Deus não pode saber perfeitamente o futuro. Portanto, Deus não é onisciência.

Os eventos futuros eventualmente se tornam presentes e, em seguida, eventos passados. Para Deus saber disso, seu entendimento mudaria com o tempo. [1]

Jesus parece não saber das coisas e às vezes fica surpreso:

“E Jesus, sabendo imediatamente em si mesmo que a virtude tinha saído dele, virou-o na imprensa e disse: Quem tocou nas minhas roupas? [...] E olhou em volta para ver aquela que fizera isso. (Marcos 5: 30,32) "

  • Ele pergunta "Quantos pães tendes?" Marcos 6:38. Marcos 8:5, mas isso poderia ter sido retórico.

Se Deus sabe o que fará no futuro, ele não está livre para mudar de ideia. [1] De qualquer forma, ele não pode mudar de ideia, pois é imutável. Tal ser não pode ter livre arbítrio porque suas escolhas são predeterminadas.

Onipresença

Um Deus onipresente não pode ser um Deus pessoal. [1]

Transcendência

Um Deus transcendente (ou seja, fora do espaço e do tempo) não pode ser onipresente. [1]

Um Deus transcendente não pode ser um Deus pessoal. [1]

Um Deus não físico não pode ser um Deus pessoal. [1]

Contra-argumentos

Você não pode definir Deus

Esta é a aposta de Loki: [4]

"Esta imutabilidade absoluta é uma das características transcendentes de Deus e devemos resistir à tendência de alinhá-la com nosso entendimento humano finito."

Referências

  1. 1,0 1,1 1,2 1,3 1,4 1,5 1,6 1,7 1,8 Theodore M. Drange, Incompatible-Properties Arguments: A Survey, Philo 1998 (2), pp. 49-60
  2. Friedrich Nietzsche, Assim falou Zaratrustra
  3. Tomás de Aquino, Summa Theologica
  4. 4,0 4,1 Phillip R. Johnson, God Without Mood Swings, Recovering the Doctrine of Divine Impassibility